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Moledo e a Foz do Rio
Minho
Estamos perante uma costa que por reunião de vários factores
será talvez ainda aquela que ainda premeia o pescador
persistente, possibilitando vários tipos de pesca, conforme os
gostos de cada um, e conforme o estado do Mar.

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A
Norte de Vila Praia de Âncora, a Norte do seu porto de pesca,
temos entre Vila Praia de Âncora e Moledo, toda uma costa
rochosa, com penedos e pedras grandes, redondos, que
possibilitam que se caminhe por cima deles de uma forma fácil, e
que se veja com facilidade quais as pedras escorregadias.
O
Mar aqui entra com facilidade, gostamos de pescar com um pouco
de Mar, mas atenção e muito cuidado quando as ondas estão com 2
metros e tendência para subir. Um olho sempre no Mar, e o
caminho para uma fuga de emergência sempre preparado!!
Pescamos sempre com a maré a descer, quer para ir aos polvos,
quer para corricar, quer para aqueles que gostam de pescar “na
Pedra” as choupas e os robalos.

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Se
quiser vai de carro até ao ponto A, que é a Capela de
Santo Isidoro. Deixe o carro estacionado bem à frente, junto
às pedras, de forma a ficar sempre com ele debaixo de olho. Não
há histórias de assaltos ou arrombamentos de viaturas neste
local, mas nos dias que correm….
É
o meu local preferido para corricar. Para Norte em direcção a
Moledo há milhares de regos, caneiros, pedras, etc., para
explorar. Quando há algas, corrico com bóia de água, e com os
peixinhos de borracha, para não ter muitas prisões nas algas.
Quando não há algas, então uso as bóias semi-afundantes da Sert
com as Rappalas e as Yo- Zuri, numa tentativa de arrancar os
robalos lá do fundo dos regos. Sempre com um olho no Mar, e com
o caminho de fuga sempre estudado de antecedência. Com Mar
forte, dou-lhe um conselho, não arrisque, é que aqui quando o
Mar “entra”, “entra” mesmo!!!
Pode também pescar ao fundo, “na pedra”, como aqui se diz, para
tentar as choupas e os robalos. Sempre com o Mar a descer, com
chumbada de perder, e sempre, de preferência, com caranguejo de
muda, ou de duas cascas. É o isco preferido pelos “locais”
quando dizem que vão pescar na pedra. Claro que o magorro de
polvo e a lula, também são utilizados, mas o caranguejo de muda
é rei para pescar na pedra. Também lhe dão o nome de “seixa
mole”.
Se
quiser pescar à bóia, tente as tainhas no ponto B, uma
enseada de pedra, denominada pelos locais de “Caído”. Com
engodo de sardinha e usando sardinha ou carapau como isco.
Atenção, para se pescar tainhas, tem também milhares de sítios,
quer para norte deste local como para sul. Deixe-se levar pelo
seu instinto que facilmente descobrirá óptimos locais, para
“fazer uma boínha”. Quando se realizam os Concursos de Pesca, o
pessoal da Póvoa, Porto, Matosinhos, etc. espalha-se por toda
esta zona, a pescar à tainha. Os pontos 1 e 2 são os
molhes norte e sul do porto de pesca de V. P. de Âncora. Na
fotografia estão com a configuração antiga, só que em 2003/04
foram aumentados, e esta transformação alterou completamente a
praia de V. P. de Âncora, fazendo com que ficasse assoreada.

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Nos molhes pesca-se como em qualquer outro molhe de qualquer
outro porto de pesca. Ao fundo, à procura dos robalos, com
casulo, teagem, caranguejo de muda, etc., ou então à bóia, com
isca do rio, ou cavala ou sardinha, para tentar pescar o que
andar por ali, como por exemplo, sargos, robaliços, carapaus,
cavalas, bogas, fanecas, badejos, etc. Durante a noite há muita
actividade mas de pessoal que se dedica a pescar congros
(safios), com sardinha, e utilizando terminais de aço, próprios
para este tipo de pesca. No molhe norte é preciso ter cuidado
com o mar forte, pois por diversas vezes o Mar galga o molhe com
facilidade. O molhe sul, é mais confortável, “ mais à mão”,
podemos deixar ficar a cana a pescar sozinha enquanto vamos ao
café beber uma cervejola, e sempre se vai vendo os biquinis na
praia……
Entre os pontos 2 e 5, fica a minha praia, a segunda
praia de Portugal, onde aprendi a nadar, surfar, namorar,
pescar, e outras coisas que se adivinham mas que não conto.
Desde que os molhes do porto de pesca foram aumentados, a praia
assoreou, ficou com mais altura de areia e mais larga, de forma
que agora, o Rio Âncora (o ponto 3 é a Foz do Rio
Âncora) tem dificuldade em desaguar, ficando algumas vezes
completamente fechado.
Este assoreamento destruiu completamente os antigos pesqueiros
que existiam nesta praia, e como se verifica uma deriva das
areias de sul para norte, o peixe ainda não se fixou em locais
específicos porque estes ainda não se formaram definitivamente.
Pescar nesta praia é, segundo a minha opinião, muito ingrato e
difícil! Pode-se pescar durante 15 dias seguidos e sacar 15
grades seguidas e, no 16º dia, quando já desistimos, chega um “
caramelo” qualquer,”fugido à mulher”, e vai-se embora com o saco
cheio de robalos de 3, e 4 Kilos!!! Descrevo isto porque já
aconteceu, por mais de uma vez.
Todos os pescadores “locais” pescam com a maré a subir,
procurando quando o reponto da maré em cima coincide com o pôr
do Sol e, caso curioso, nunca se pesca de dia em Vila Praia de
Âncora, parece que os “locais” se envergonham de pescar de dia
na sua própria terra, é sempre de noite que os encontramos a
pescar.. De dia só pescam “ os de fora “, os que vão passar o
dia na praia, ou porque está bom tempo, ou estão de férias etc.
Mas mesmo na Avenida Marginal, ou nos cafés do portinho, há
sempre um “local”, que à vista desarmada ou com binóculos,
sempre vai vendo o que se vai pescando. Quem pesca de dia na
praia, tem seguramente, 4 ou 5 “locais”, que disfarçadamente vão
fazendo a contabilidade do que é pescado.
Mas atenção, quando um “local” é visto a pescar de dia, é sinal
que ele esteve lá a pescar na noite anterior, tirou peixe, e
está a aproveitar a maré. Então agora sim, nestas alturas,
metade da Vila está na praia a pescar!!! Descrevo isto um pouco
exagerado, mas é mais ou menos assim que tudo acontece.
Os
“locais” pescam sempre com “sintética”, que é o nome que aqui
por cima se dá à teagem. Apanham-na de dia, com a maré em baixo,
para pescar de noite, com a maré em cima. A “sintética” é
apanhada nas pedras a norte do Forte do Cão, (ponto 6),
ou então em Afife ou em Paçô (ponto 12).
Temos por norma pescar sempre para cima dos “areios”. Durante o
dia vamos vendo com a maré em baixo, como estão ao areios. Se
estão longe ou se já estão ao alcance de um lançamento, para
depois à noite ir para lá pescar, com “sintética”, aqueles que
podem durante o dia ir apanhá-la, ou com casulo, como é o meu
caso, comprado em Viana do Castelo, na melhor casa de pesca do
País, que é a casa Ferraz e Ferraz Lda.
Na
praia de V. P. de Âncora há dois pesqueiros que são sempre
locais obrigatórios de alguns lançamentos. Um é a Foz do Rio
Âncora (ponto 3), local que os robalos gostam de explorar
com a maré-cheia, e muitas vezes entram pelo rio acima. O mesmo
acontece com as trutas mariscas. Quando posso, calço as minhas
botas altas de neoprene, entro pelo rio dentro, com água até à
cintura ou até ao peito e com uma Rappala a imitar uma truta,
vou corricando rio acima e rio abaixo. Os meus melhores troféus
de pesca foram pescados aqui e desta maneira.
Outro local é a zona denominada “Caldeirões” (ponto 4).
O engraçado é que Caldeirões é o local onde o Rio faz aquela
grande volta, como se pode ver no mapa, e onde várias gerações
de Ancorenses aprenderam a nadar. Hoje este local está
destruído, não é nada do que era antigamente, após ter havido
extracção de areia no início dos anos oitenta. Já ninguém toma
aqui banho nos dias de hoje.
Neste local, no Mar, pode-se ver uma grande pedra, que é a
chamada “Pedra do Tesal”. Para sul ou para norte desta pedra,
tudo dependendo dos areios, da força do mar, etc., é que vale a
pena pescar. Mas é como lhe digo, ver a praia de dia com a maré
em baixo, para pescar de noite, nos areios. Com sintética ou
casulo.
Deixe ficar o seu automóvel estacionado na Avenida Marginal da
praia, ou no parque de estacionamento em frente ao Turismo, e vá
a pé pela praia fora.
Nunca deixe o seu carro estacionado nos Caldeirões, na estrada
de terra imediatamente a norte do Campo de Futebol do Âncora
Praia Futebol Clube. É um convite para ser arrombado e roubado.
Pode pescar sozinho de noite na praia de Âncora, não tem havido
azar, nem se conhecem histórias de confusões
Depois deste longo areal, aparece uma zona rochosa (desde o
ponto 5 até ao ponto 8), que é uma zona rica em
robalos, choupas e sargos. Esta zona, graças à topografia
sub-aquática, com grandes grutas, buracos,etc. é uma autentica
maternidade para estas espécies. Os dois últimos grandes
concursos de pesca realizados nesta região, (Concurso do Clube
Ancorense de Pesca e Caça, e o Concurso da Casa do Benfica de V.
P. de Âncora) foram ganhos por pescadores Ancorenses que
pescaram nos pontos 6 e 7. Cuidado quando andar por cima destas
pedras!!! São pequenas, angulosas, escorregadias, traiçoeiras,
boas para partir uma perna!!
O
ponto 5, é aquela zona que os locais chamam de “primeiras
pedras”. Óptimo sítio para apanhar sintética, e para pescar
umas choupas, nas pedras de fora, sempre com a maré a descer.
Bom local para corricar.

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O
ponto 6, é o local onde está o Forte do Cão, com o
caneiro logo a sul, tendo mesmo á sua frente uns pesqueiros
sensacionais para pescar robalos. O pesqueiro “Quintino”, é
conhecido internacionalmente.

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O
ponto 7 fica localizado já na Freguesia de Afife, que
pertence ao distrito de Viana do Castelo. É a chamada Ínsua
de Afife, outra boa zona para apanhar sintética, e para
pescar robalos e choupas com caranguejo de muda. Sempre com a
maré a descer. Outro bom local também para corricar.
O
ponto 8, é a praia de Afife, onde fica localizado
o Restaurante-Bar-Café, “Carvalho”. Quando dizemos que vamos
pescar para “o Carvalho”, é para esta zona a que nos estamos a
referir. Começa a partir desta zona e para sul, um areal
sensacional para se pescar.
Tal como em Âncora, passamos os dias a ver onde estão os areios,
para depois podermos “atacá-los” de noite.

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O
ponto 9, é oficialmente designado como praia da Arda.
Só que por este nome, ninguém conhece esta praia. Se eu disser a
alguém que estive a pescar na Arda, ficam a pensar que estive na
Galiza ou no Sotavento algarvio a pescar. Esta praia é
mundialmente conhecida pela Praia de Mariana, praia dos
surfistas, com diversos campeonatos mundiais e europeus aqui
realizados. Dá nome a esta praia um excelente restaurante que
existe em Afife (mesmo em frente ao desvio para esta praia, na
Estrada Nacional 13), e que se chama Restaurante da Mariana,
super conhecido pelo robalo em algas. Dou-lhe um conselho. Não
vá ao Restaurante à procura da Mariana. Ela já lá não está. Vai
encontrar é o irmão, o Aires, sempre com cara de não querer
muita conversa, mas um “gajo porreiro”!
Durante o dia tem sempre “milhares” de surfistas na água. É uma
chatice porque não se pode pescar, mas ao mesmo tempo é uma
referência. Isto porque nos locais onde os surfistas se
posicionam para apanharem as ondas, são precisamente os locais
onde se colocam os robalos, e para onde vale a pena fazer os
lançamentos. É por isso que pescadores e surfistas nunca se
deram muito bem!!!
Pescamos nesta praia de dia, com sintética ou casulo, em toda a
sua extensão, com mais pressão de pesca onde estão os areios, e
com grandes pescarias quer com a maré em cima, quer com a maré
em baixo. Pesca-se muito de noite. Como já perceberam os
“locais” só pescam de noite. Curiosamente esta praia é muito
escura para se pescar de noite! E muito comprida! De noite nunca
estamos sozinhos a pescar. Estamos sempre em grupos de 3 e 4.
Não é por nada, mas pelo sim pelo não, em grupo sempre estamos
mais confiantes, mais seguros, com a vantagem de se poder
“bater” melhor a praia e descobrir mais rapidamente onde está o
peixe.
Se
tencionamos pescar na parte norte da praia, deixamos as viaturas
no Carvalho. Se a intenção é bater a parte sul da praia então
deixamos o carro na Mariana. Não tem havido grandes confusões
com as viaturas dos pescadores que pescam à noite, embora às
vezes apareçam uns carros riscados ou então com os pneus
furados, resultado de um ou outro pescador mais invejoso, ou
mais defensor da sua área!!
Nunca vi nada, nunca me aconteceu nada, nas sempre se ouve uma
ou outra historieta. Eu gosto mais de deixar o meu carro no
Carvalho porque tem mais luz, o espaço está mais e melhor
iluminado, e sempre está alguém dentro do Restaurante Carvalho
com “um olho” no que se passa cá por fora. Na Mariana, temos por
vezes o espaço de estacionamento sem luz alguma, e é lógico que
nestas condições qualquer viatura fica mais desprotegida. Em
contrapartida há sempre um ou outro surfista que fica a dormir
na sua carrinha, e a quem pedimos que não deixe de tomar conta
no nosso carro.

A fantástica praia de Afife
Não quero deixar de salientar um facto curioso, que nos coloca
numa situação de privilegiados. É que normalmente pescamos
sempre com qualquer tipo de mar. Quando está muito mar, por
exemplo, mar com ondas de 3 metros em Afife, impossibilitando a
pesca nesta praia, então a praia de Vila Praia de Âncora está
com ondas de 2 metros, (os novos molhes do porto de pesca
protegem a praia da entrada de ondulação), e a praia de Moledo
está com ondas de 1 metro, (a ilha da Ínsua e a Foz do Rio
Minho, anulam a entrada da ondulação) permitindo que se pesque
em Moledo em sossego e com toda a descontracção. E mesmo quando
está uma ressaca de mar “ do caraças”, dentro do Rio Minho mesmo
na Foz, onde estão uns barcos ancorados, junto ao Restaurante
Ínsua Clube, vamos lá descobrir uns robalitos que ficam por ali
escondidos à espera que o temporal desapareça. Por isso quando
alguém pergunta para que praia se vai pescar, há sempre alguém
que diz que “o mar é que manda”!!
Continuando a nossa viagem para Sul, vemos que a praia da
Mariana (praia da Arda, oficialmente), acaba no ponto 10,
zona denominada de “Bico”, à qual se segue uma zona
rochosa, óptima para se pescar a corricar ou ao fundo. A
corricar robalos, ao fundo choupas e robalos, usando caranguejos
de muda.

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Depois aparece-nos o Forte de Paçô, no ponto 12,
ficando uma zona de cerca de 100 metros, entre os pontos 11 e
12, de areia, que dá nome a esta pequenina praia, como sendo a
praia de Paçô.
Ganharam fama as fanecas que em tempos idos se pescaram aqui,
havendo quem lhes chamasse “fanecas de posta”!!!
Esta praia umas vezes está mais assoreada, outras vezes mais
escarnada e rochosa, mas é ainda um óptimo local para se pescar
peixe grande. Quando o peixe encosta por estas bandas, costuma
ser generoso em peso e tamanho.

Viana do Castelo e Foz do Rio Lima
Esta praia foi muito usada nos anos oitenta para se descarregar
grandes quantidades de droga, nos tempos em que as lanchas
voadoras galegas eram uma constante nos nossos mares. Hoje nada
disto se passa, mas aquele pinhal que fica entre a Estrada
Nacional 13 e a praia de Paçô é usado para prostituição, razão
pela qual por vezes deambula por estes sítios uma “fauna” nada
recomendada.
Cuidado aonde deixa ficar a sua viatura, há histórias de carros
arrombados e roubados. Nunca pesque sozinho!! De noite
costumamos pescar em grupos de 3, nunca levamos os nossos
carros. Alguém nos leva, e depois combinamos a hora para sermos
recolhidos. Há quem goste de pescar com uma 6.35 no bolso, mas
verdade seja dita que nunca foi usada. Mas que ás vezes há uns
sustos, isso há!!!

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O
ponto 13, é a praia de Carreço, último areal antes
de Viana do Castelo, já que para norte ou para sul, é tudo pedra
e rocha, com as mais variadas formas e feitios. Como nos outros
locais parecidos com este, pesca-se sobretudo robalos e choupas,
por vezes alguns sargos.
Na
zona de Areosa, há por lá uns buracos só acessíveis com a Maré
em baixo, onde se fazem ainda pescarias de lucinhas pouco comuns
nos dias de hoje.
RUI TAXA
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