É uma das três comunidades europeias de golfinhos residentes em estuários e a única em Portugal. No Sado, vivem 25 roazes tursiops truncatus, mas como o grupo já foi maior está em marcha um plano de salvaguarda.
"Não há mais nenhuma população de golfinhos residente na nossa costa. Na década de 80 [do século passado] eram cerca de 40 animais na população; hoje só há 25", explicou ao JN a bióloga Marina Sequeira, da Reserva Natural do Estuário do Sado.
O plano de acção para a salvaguarda e monitorização da população de roazes, dinamizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, visa essencialmente criar condições para a melhoria do habitat.
"Vamos tentar, dentro do possível, diminuir a carga poluente no estuário e, por outro lado, vamos actuar ao nível dos impactos directos na população, principalmente na perturbação que é causada pelas embarcações mais pequenas", realça a bióloga, lembrando que nos meses de Verão se regista uma grande afluência de pessoas, para observação da espécie.
A estratégia engloba a fiscalização das embarcações e a promoção de campanhas de sensibilização. "Não vamos proibir as pessoas de utilizar os barcos para ver golfinhos. Vamos tentar sensibilizá-las para o facto de haver regras para observar os animais", salienta Marina Sequeira.
15 minutos à vista
Quatro empresas de turismo da natureza estão licenciadas para realizar passeios de barco com observação de golfinhos. Antes da saída para o rio, os participantes ficam a conhecer as regras de conduta e as principais características dos animais. O JN subiu a bordo de um veleiro da Vertigem Azul num dia de mar agitado, mas mesmo assim foi possível avistar a comunidade de golfinhos, para contentamento das cerca de 20 pessoas presentes. "Nós temos de os procurar. Quase sempre os encontramos, mas não podemos garantir em 100%", avisou Maria João Fonseca.
O avistamento durou apenas 15 minutos, sem ter havido grande aproximação. "Há dias em que os golfinhos são muito sociáveis; noutros afastam-se", esclarece a guia. "Nem estava à espera de ver, fiquei surpresa. Gostei imenso, adoro golfinhos", diz, radiante, a lisboeta Helena Araújo, de 52 anos, que participou no passeio com um grupo de colegas de trabalho.
O plano de salvaguarda vai vigorar até 2013, com o intuito de manter o grupo no estuário. "Nos próximos dez anos, alguns vão desaparecer. Era importante que esta fosse uma causa nacional", alerta Maria João Fonseca, lembrando que há vários elementos nascidos em 1981, o que torna a comunidade envelhecida. Estão contabilizados no estuário do Sado 17 animais adultos, três juvenis e cinco crias.
A reprodução da espécie é lenta, até porque o período de gestação se prolonga por 12 meses. As mães dedicam entre três a quatro anos a cuidar da cria e só depois desse período voltam a procriar. Com nomes próprios, os golfinhos roazes-corvineiros estão identificados pelas barbatanas dorsais, que são sempre diferentes. A comunidade vive no estuário do Sado e na área marítima adjacente, junto às praias da serra da Arrábida e de Tróia.
Fonte "Jornal de Notícias" (2009-06-14)
