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É geralmente reconhecido que o Inverno é particularmente difícil para pescar certos tipos de peixe, seja por razões de temperatura, que faz certas espécies procurar o patamar de profundidade que lhes é familiar, seja por motivos migratórios com a procura de comida ou locais de reprodução. Seja como for e exactamente por estas razões, o calendário competitivo é escasso ou nulo nestes dois meses de Dezembro e Janeiro, o que faz os pescadores ficarem com água na boca até à primavera onde a actividade dos peixes voltará a subir de tom.
Outro aspecto importante a ter em conta nesta altura é o facto de que muitas espécies de cursos de agua doce estão proibidas de pesca. Lembro que nestes, apenas o escalo, o pimpão, a enguia, a pardelha, o ruivaço, a verdemã, a esganata , o lúcio, a gambúzia, a tainha, o góbio, o chanchito, e a perca sol estão abertos a captura durante todo o ano.
Muitos pescadores de interior nesta altura recorrem a clubes ou lagos privados onde as trutas de viveiro (Arco-íris) por exemplo, podem fazer as delicias de uma fome de pesca por matar, outros…mal! Infringem consecutivamente a lei de várias maneiras, seja a pescar espécies protegidas fora da altura do ano, ou a utilizar essa mesma pesca para venda a restaurantes. Quem frequentar alguns restaurantes do interior nacional que sirvam peixe fresco, poderá somar dois mais dois e perguntar-se como é que será possível certas espécies aparecerem na ementa.
No mar a história é outra, a falta ou abundância de peixe estará mais ligada directamente com o ataque das frotas pesqueiras, arrastões, etc no nosso litoral. É certo que certas espécies de peixe se afastam do nosso litoral, e outras se refugiam nos rios nesta altura, mas por outro lado devemos contar que também a intensidade da pesca em geral é menor e até não há banhistas que no caso especifico do surfcasting iriam afastar da costa muito peixe.
Alguns pescadores mais endinheirados podem sempre optar por pescar noutras paragens, mais a norte ou mais a sul consoante o que pretenderem. O Senegal, mas também Angola, Moçambique ou Cabo Verde são sempre óptimos destinos para a prática embarcada e também de costa, com a possibilidade de fazer aquela pesca das nossas vidas, convém lembrar que no hemisfério sul estamos agora nos meses quentes. No Brazil por exemplo poderemos experimentar a pesca do Tucunaré que será sempre um mais que fantástico substituto da pesca ao Achigã e que é já a alguns anos por este motivo um destino de férias para muitos pescadores profissionais americanos. Mais a norte temos destinos como a Irlanda, o Reino Unido e outros países do mar do norte que tem especialmente nesta altura do ano o nosso amigo bacalhau em grande, mesmo pescado da costa como o grande troféu a conquistar. Achigãs com frioNão há dúvida que nos encontramos em pleno Inverno. Janeiro será tradicionalmente o mês mais frio do ano. Também pode vir a não ser assim, uma vez que o tempo, meteorologicamente falando, já não é o que era, e a tradição já se foi... Pode surpreender os mais desatentos mas é possível pescar achigãs este mês, sendo dos melhores períodos para pescar maiores exemplares, sempre que estejam reunidas todas as condições e aplicadas as técnicas adequadas. Infelizmente nem sempre as coisas são tão lineares e por vezes um dos componentes que não controlamos falha, pondo em causa o resultado do nosso dia de pesca. Um dos passos para o sucesso é a localização dos achigãs. Devemos procurá-los na zona central da barragem, ignorando em primeira instância, os “braços” constituídos pelos tributários que alimentam a barragem. Aqui, serão alvo das nossas amostras os baixios afastados das margens que possam existir, as grandes inclinações rochosas, os drop-off´s ou os antigos canais dos rios. Ou seja, procuramos fundamentalmente, variações acentuadas nas estruturas existentes no fundo da albufeira.
As amostras para este mês terão que produzir necessariamente um trabalho lento. Servem os spinnerbaits com lâminas colorado em recuperação lenta, com paragens para permitir mais afundamento, as montagens Texas e Carolina. Quanto aos relativamente recentes crankbaits de grande profundidade em versões suspending, com as respectivas paragens na recuperação são naturalmente boas apostas também. As diferentes técnicas de finesse são outras das opções. O darter jigging, e o drop-shot por exemplo, destacaram-se já entre nós com óptimos resultados nas pescarias de Inverno. A ter em conta que os peixes estão com reacções lentas devido ao seu metabolismo estar condicionado pela baixa temperatura da água, pelo que as amostras devem ser trabalhadas devagar e com pausas mais longas, dando tempo ao ataque, que será também menos perceptível. E ainda que, quando a água está mais barrenta os peixes se encontram localizados mais próximo da superfície, sendo que estarão posicionados mais fundo se esta se encontrar mais límpida. Só nos resta por isso aguardar por um dia soalheiro – mais agradável para nós- e conferir e ajustar as tácticas para pescar os primeiros achigãs do ano. Não nos podemos esquecer ainda que os maiores achigãs, que estão agora mais vulneráveis, são os exemplares mais importantes numa albufeira. São os melhores reprodutores e cujos alevins serão os que têm mais capacidade de sobrevivência. Por isso, deverão ser libertados cuidadosamente à água, assegurando a continuidade da espécie e a continuação do nosso desporto preferido. Obs. Os termos em itálico encontram-se com significados na Enciclopédia PlanetaPesca. Gomes Torres e Marcos Palmeira
Manchetes Anteriores: Dezembro 2003 ( Taça do Mundo de Pesca ao Achigã ) Novembro 2003 ( Previsão: Taça do Mundo de Pesca ao Achigã)
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| 09/05/2008 22:20:20 | Sobre nós | Anúncie no PlanetaPesca.Com | Serviço ao utilizador | Feedback |