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Em
primeiro lugar, em nome da equipa do PLANETA PESCA e dos
nossos leitores gostaria de lhe dar os parabéns pela sua prestação
no recente evento CASPE 2003 em Espanha dado ter obtido um
honroso 21º lugar e segunda melhor equipa portuguesa. Fica no ar a
possibilidade de ter ido muito mais longe, mas para o nível da
competição apresentada já é um bom começo os resultados obtidos.
Em relação ao CASPE propriamente dito, gostava que comenta-se a
organização da prova e o nível geral das equipas que se
apresentaram.
-
Com efeito, mais um ano de participação nesta prestigiada prova
internacional disputada na Barragem de Mequinenza. Este ano, com o
factor adicional de encontrar como adversário um dos meus ídolos
da pesca de achigã, um dos melhores pescadores profissionais a
nível mundial, o vencedor do Clássico de 2001, Kevin Van Dam.
Entre os participantes contavam-se 91 equipas, 25 apuradas no ano
anterior, 20 convidados pela organização e patrocinadores, entre
eles 4 profissionais americanos, Kevin Van Dam, Mark Curry, Gary
Yamamoto e Gerard Swindle, 1 profissional japonês, Seiji Kato e 1
profissional do Canadá Izumi Wayne, os apurados nos Campeonatos
Nacionais e nos Campeonatos dos Clubes de vários países (Espanha,
Portugal, Itália, França) e algumas equipas alemãs convidadas, num
total de 8 países representados. Uma competição de peso, como se
pode comprovar e uma organização impecável, como é norma em Caspe.

Mark Curry, Jaime Sacadura, João
Sacadura e Kevin Van Dam
Para aferir da qualidade destas equipas, basta verificar que no
final do 1º dia e sem conhecer a barragem, se encontrava na 1ª
posição, a inevitável dupla Kevin Van Dam e Mark Curry com 5,835
Kg, seguidos a 45 gramas por Gerad Swindle e Emílio Camarasa. Em
3º e 4º lugar 2 equipas espanholas. Num surpreendente 5º lugar com
5,135 Kg (pelo menos para nós, dada a ausência de treinos), Jaime
Sacadura e João Sacadura a 700 gramas do vencedor do dia.
Infelizmente, no 3º dia as coisas complicaram-se e descemos para o
21º lugar embora assegurando o apuramento para o próximo ano. Lá
estaremos em 2004.

Chegada no segundo dia
E a prestação nacional em geral, considera satisfatória? Que
condicionantes afectaram as prestações?
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O 1º dia não correu
nada bem à maioria da representação portuguesa com 5 equipas a
capturarem apenas 1 exemplar. No final do dia, 8 equipas abaixo do
50º lugar.
Muitas das equipas nacionais tinham realizado um período de
treinos no fim-de-semana anterior e treinos muito produtivos, na
maioria dos casos. Infelizmente, nem sempre um bom treino
corresponde a boas prestações, como se veio a verificar.
Um 2º dia com pouca actividade e um 3º dia, com um temporal à “Mar
de Aragão” acabou por favorecer as equipas locais (que conhecem ao
pormenor a barragem) e as que se encontravam bem classificadas no
1º dia, dificultando as recuperações.

João Sacadura na pesagem do segundo dia
Foi o CASPE, agora vem a Taça do Mundo, ainda por cima em
território nacional, o que espera sinceramente deste evento e da
representação portuguesa?
- A responsabilidade é grande tratando-se de um evento no nosso
País e numa barragem que conhecemos bem. Toda a gente espera uma
vitória nacional, mas não podemos esquecer que vamos enfrentar
excelentes pescadores europeus e profissionais americanos. Penso,
mesmo assim, que temos condições para tudo fazermos pela melhor
classificação possível da equipa nacional e não nego que a vitória
por equipas está nos nossos objectivos.

A equipa em acção
Acha que os achiganistas lusos e o seu conhecimento do terreno na
Taça do mundo vão ser determinantes numa boa classificação?
- Com a existência de um dia de treino obrigatório para todas as
equipas, uma inovação em provas disputadas na Europa até agora, a
nossa eventual vantagem à partida, diminuirá relativamente. Outro
factor a levar em conta é a existência de 3 dias de prova, quando
todos os eventos nacionais possuem apenas 2, o que pode complicar
as coisas, mas o optimismo numa boa prestação permanece.
Em que consiste por exemplo a sua preparação para um evento desta
categoria? Foi muito diferente da preparação para uma prova do
campeonato nacional?
- A primeira prioridade foi criar um espírito de grupo, já que se
trata essencialmente de uma prova por equipas de vários Países. A
partilha de informação sobre locais, técnicas e amostras não tem
paralelo com a preparação para qualquer outra prova realizada até
agora e é inovadora nesse aspecto. Em termos físicos será também
uma prova muito exigente, pois em 7 horas de competição é vulgar a
realização de centenas de lançamentos diários, normalmente mais de
400. Em 4 dias de prova, o esforço imposto a tendões e músculos é
enorme e começa a deixar as suas marcas e a fadiga começa a
reduzir a eficácia da acção de pesca. A boa forma é, portanto,
essencial.

Em treino para a Taça do Mundo
Agora de carácter mais genérico, gostaria de lhe fazer mais
algumas perguntas sobre a sua pesca favorita.
Há quantos anos pesca achigãs ?
- Embora pesque desde os seis anos de idade, iniciado pelo meu
avô, o achigã é uma descoberta relativamente recente. Comecei a
pescar esta espécie à pouco mais de 10 anos, mas o seu fascínio é
de tal ordem que actualmente é a única a que me dedico.
Começou a pescar de barco ou iniciou-se pela margem ?
- Como quase todos os pescadores de achigã, comecei a pescar de
margem e continuei sem barco durante os primeiros 3 anos. Depois,
um pequeno “coco”, de início a remos e depois com motor eléctrico
para poder participar em provas da APPA e desde aí mais
duas alterações de barco até chegar ao actual. Ainda pesco de
margem, sempre que surge uma oportunidade de conviver com amigos
ou descobrir uma pequena barragem.

João e Jaime Sacadura
Acha que o achigã é uma espécie suficientemente abundante e
protegida ?
- A protecção é nula por parte das entidades oficiais. O achigã é
mesmo encarado como espécie a exterminar por não ser autóctone,
sendo responsabilizado pela diminuição de efectivos de espécies
protegidas, que estão condenadas, fundamentalmente pela alteração
dos seus habitats naturais e não pela introdução das espécies
exóticas, como o achigã. Nos últimos anos, esse esforço de
protecção resume-se, essencialmente, às actividades desenvolvidas
pela APPA para divulgar o Pescar e Libertar, como atitude a
adoptar pelo maior número possível de pescadores e como forma de
permitir às gerações vindouras o prazer de travar conhecimento com
este excepcional peixe.
Se tivesse que escolher apenas um tipo de amostras, qual
seria a sua escolha ?
- Essa pergunta é recorrente e é extremamente difícil de responder
por um pescador de achigã com experiência. Claro que todos têm a
sua preferência e a maioria seleccionaria uma amostra que
permitisse cobrir todas as camadas de água (fundo, meia-água e
superfície) como um spinnerbait ou uma imitação de peixe em
plástico mole, tipo Senko. Mas a verdadeira aliciante da
pesca de achigã reside na necessidade que o pescador sente de
alargar o leque de amostras e técnicas que domina. Em suma, de ser
o mais versátil possível. Reduzi-lo a uma única amostra é reduzir
a essência da pesca do achigã, pois o peixe muda constantemente de
humores e obriga o pescador a mudar de técnica e de amostra, em
conformidade com a atitude do peixe ( localização, grau de
actividade, época do ano, etc).

Caspe, zona de Liberola
Quanto tempo leva em média a preparar o material para uma prova e
como o faz ?
- Cerca de 2 a 3 horas, entre mudar linhas, seleccionar e montar
amostras e preparar 7 a 9 canas para uma prova. Na ausência de um
treino, que possa servir de indicador, procuro preparar um leque
alargado de técnicas e de amostras que permitam cobrir as zonas
mais prováveis de localização do peixe, em função da época do ano,
da barragem, do tipo de estruturas e coberturas disponíveis e da
dimensão média do peixe no local a pescar.
Essa preparação reduz-se significativamente, bem como o leque de
material a usar, se um treino produtivo tiver ajudado a localizar
o peixe e o seu tipo de reacção.
Quantas canas leva para uma prova ?
- Como mencionei, normalmente preparo 7 a 9 canas para uma prova.
Claro que em acção de pesca só se pode usar uma de cada vez, mas a
especificidade de cada técnica obriga a recorrer a um determinado
tipo de cana, para poder ser desenvolvida com toda a eficácia.
Claro que, teoricamente, poderia preparar só uma cana, de acção
média e utilizá-la para vários tipos de amostras e técnicas, mas
não só isso resultaria em perda de tempo para mudar de técnica e
de amostra, como prejudicaria a eficácia de técnicas mais
específicas que necessitam de canas, carretos e linhas muito
definidas, como por exemplo, a utilização de spinnerbaits e
crankbaits (que requerem normalmente material de casting de acção
parabólica), de Jigs (cana de casting, mais longa e de acção média
pesada, com linhas grossas), a utilização de amostras de
superfície (canas de spinning, de acção média ligeira), de
técnicas de pesca ao fundo (geralmente canas de spinning ou de
casting de acção média pesada) ou de técnicas de pesca mais fina e
subtil onde geralmente são usadas canas ligeiras de spinning
associadas a linhas finas.
Qual é a sua opinião sobre factos recentes ocorridos numa prova do
Campeonato Nacional ?
Lamento que a competição que aprecio, seja ultimamente mais falada
por situações negativas do que por feitos desportivos. Essas
situações não correspondem, no entanto, a uma imagem
representativa do actual estado da competição que, na minha
perspectiva, atingiu um patamar muito elevado e que tem condições,
a curto prazo, para impulsionar significativamente a modalidade a
nível nacional e internacional.
Obrigado Jaime pela sua disponibilidade para a entrevista de
certeza que os nossos leitores lhe estão agradecidos.
Aqui ficam os contactos do Jaime Sacadura, bem como mais uma vez
os da APPA.
Site do Jaime Sacadura:
http://pwp.netcabo.pt/bassfan
Site da APPA:
www.appa.pt
MP
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