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Periodicamente somos alarmados pelas notícias de pescadores
que morrem enquanto pescam. Caem dos precipícios, por vezes
as embarcações naufragam, ou mais raro, morrem
electrocutados por cabos de alta tensão ou por relâmpagos.
Parece
não haver dúvida que a nossa actividade exige alguns
cuidados, porque é perigosa em determinadas circunstâncias.
Se existem situações que não controlamos, nomeadamente as
descargas atmosféricas, existem outras em que devemos
reduzir ao máximo, o risco de nos vir a acontecer, ou aos
nossos companheiros de actividade, algo desagradável.
Sem ser
especialista na matéria, apenas me vou valer da minha
experiência, dos meus sustos, e daquilo que leio desde há
uns anos.
O que vos vou deixar é uma breve check list
– os dez mandamentos, se quiserem - de vários pontos a ter
em conta, quando decidirem pescar embarcados ou simplesmente
derem uma volta com a família numa embarcação de recreio.

Embarcação devidamente equipada
-
Nunca entre num barco que não lhe inspira confiança.
A instabilidade do mesmo aos movimentos dos tripulantes
ou o seu pequeno tamanho, pode ser indícios de falta de
segurança. Esteja atento à ondulação provocada pela
passagem de outros barcos ou motas de água, se estiver a
bordo de uma pequena embarcação. Em termos gerais,
quanto maior for o barco que vai passar, maior será a
ondulação provocada e consequentemente a instabilidade a
bordo. Nestas condições, é altamente recomendável
que tente com os remos ou com o motor meter a proa
(aproar) à vaga que se dirige para si.
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Em
deslocação, use sempre o colete salva-vidas e se não
souber nadar, recomendo que o use sempre que esteja a
bordo, mesmo parado. Felizmente já existem no
mercado coletes finos, que são pouco mais que
suspensórios auto-insufláveis, que lhe poderão salvar a
vida. É certo que são ainda algo caros, mas a nossa vida
não tem preço.
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Nunca
abuse do álcool, antes e enquanto estiver a bordo.
Verifique que quem vai aos comandos está em condições de
governar a embarcação com segurança. Nessas condições, o
que é simples torna-se complicado e pode pôr em causa a
sua vida ou a de outros. Tal como nos automóveis, se
conduzir não beba. Tenha em conta que o meio envolvente
é a água e por isso se cair, pode afogar-se em vez de
partir a cabeça.
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O
seu motor deve possuir um dispositivo de segurança,
vulgarmente designado “Homem-ao-Mar”, use-o sempre em
acção de navegação.
Assim, se se afastar do posto de comando, mesmo
intencionalmente, o motor pára de imediato, que é
efectivamente o que deve acontecer quando não está
ninguém aos comandos.
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Verifique que possui combustível suficiente para a
deslocação que pretende efectuar,
em especial se for no mar. Parece incrível mas são
inúmeras as embarcações paradas por falta de
combustível.
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Ao
abastecer um depósito de gasolina, faça-o com o motor
parado, não fume, não utilize o telemóvel e
certifique-se que não vão ocorrer faíscas nas
proximidades.
O ar que sai do depósito, por força da entrada de
combustível é altamente explosivo e só precisa de uma
pequena chispa para inflamar.
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Se
por qualquer motivo começar a entrar água na
embarcação em que se encontra, não entre em pânico.
Mantenha o sangue frio procure eliminar ou pelo menos
minimizar a entrada de água e logo que seja
possível, trate de remover a que puder. Utilize
um vertedouro ou outro dispositivo adequado como seja
uma bomba eléctrica ou manual.
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Em
caso de incêndio, tente abafar o foco de origem ou
preferencialmente use o extintor.
Familiarize-se com a utilização deste equipamento lendo
as instruções periodicamente, por exemplo quando estiver
calmamente a limpar o barco na garagem ou no cais da
marina. Não é recomendável que leia as instruções quando
precisar dele e não tente apagar o fogo com água, por
motivos óbvios…
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Mantenha sempre a bordo toda a palamenta que a lei
obriga, consoante a classe da embarcação e em perfeitas
condições de funcionamento.
Abuse das coisas que lhe podem fazer falta a si ou
alguém mais esquecido. Mantenha um ou dois chapéus de
reserva, uns óculos de sol, protector solar, um
repelente de insectos, um frasco de antídoto para a
picada de insectos incluindo vespas, abelhas e mosquitos
e que também se aplica na picada do peixe-aranha.
Pessoalmente incluindo um spray anestesiante, vendido em
farmácias, para ajudar a retirar algum anzol espetado no
pescador em vez do peixe. Pode adicionar um hélice de
reserva para o motor eléctrico, velas e fusíveis para o
motor de combustão.

Barco pequeno a navegar
-
Quanto maior é a nau, maior é a tormenta.
Este é um dos ditados populares que não condiz com a
realidade, se for seguido à letra. Um barco maior é
mais seguro do que um mais pequeno, em qualquer
circunstância. Permite maior arrumação, melhor
movimentação de pessoas e logo um maior conforto e
segurança, que é afinal do que estamos a tratar.
Não se
esqueça do ditado, este sim perfeitamente adequado: HÁ
MAR E MAR; HÁ IR E VOLTAR.
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