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Formação – começar mais
cedo
No passado dia 3 de
Fevereiro, respondendo a um convite dirigido pela
coordenação da biblioteca de uma escola da Freguesia de
Santo António dos Cavaleiros, na sequência do lançamento do
livro «ACHIGÃ – REFLEXOS», tive a oportunidade de falar com
cerca de 80 alunos dos terceiro e quarto anos do ensino
básico.
Recorrendo a material
usado em algumas acções de formação preparei uma pequena e
simples apresentação no sentido de explicar o que é isto da
pesca do achigã e como são os próprios achigãs.
Não é do meu feitio
aparecer sem um presente e, com a ajuda do meu amigo Joaquim
Moio, proprietário de uma das melhores lojas de pesca desta
especialidade em Évora, arranjei amostras para todos os que
assistiram, professores incluídos. Para que não houvesse
problemas retirei os anzóis às amostras que eram todas
iguais, um jerkbait laranja e verde.

Com a ajuda de um
projector mostrei a minha apresentação que foi educadamente
interrompida por inúmeras perguntas sobre a pesca, o peixe e
até a vida. A interrupção tinha sido uma exigência minha,
tendo apelado para que não houvesse momentos dedicados a
dúvidas, mas que esses momentos fossem precisamente aqueles
em que a dúvida surgisse.
Exibi ainda alguns
trechos de filmes que documentavam a pesca como a fazemos e
a forma como os peixes atacam as presas e as amostras
também.
A atenção daquelas
crianças tocou-me de uma forma especial por estar
a espera de um público mais ou menos desinteressado… Não
podia estar mais enganado. O entusiasmo foi imenso, havendo
mesmo quem se declarasse com vontade de experimentar este
tipo de pesca.

Os professores também
gostaram e não param de me chegar reacções da parte de
alguns dos alunos, filhos e amigos de vizinhos com quem me
cruzo na rua.
Isto levou-me e repensar
a formação que tem sido feita até agora.
Normalmente organizam-se
acções de formação para pescadores que se deslocam para
assistir e participar, ou seja, não se vai ao seu meio
quotidiano, como o trabalho, a escola, etc. No caso do
trabalho, há muito que acho que os vendedores de material de
pesca, que trabalham para os diversos importadores e
representantes, não perdiam nada se tivessem uma formação
específica para este tipo de pesca, relativamente novo entre
nós, e onde se notam graves erros de aproximação ao mercado,
quer de quem importa quer de quem vende. Isto é
consultadoria numa das suas mais práticas formas. Outros
tipos de profissionais ganhariam com uma formação na área da
pesca desportiva mais ou menos abrangente. Estou a pensar em
vereadores da área desportiva a até educativa, de animadores
culturais, de organizadores de eventos, enfim, de um sem
número de profissionais se vêem obrigados a intervir numa
área como esta em que nunca se aventuraram. Isto também é
consultadoria especializada.

Mas voltemos à escola. Há
muito que sonho com este tipo de acções junto dos mais
novos. Esta minha recente experiência com quatro turmas
acabou-me com as dúvidas: é nesta altura que uma primeira
intervenção deve ter lugar. Claro que tem de ser continuada
e apoiada com outras acções futuras, mas esta primeira abre
os horizontes aos jovens que só ouvem falar de futebol 24
horas por dia e sete dias por semana. Uma intervenção
iniciática abrir-lhes-á caminho para outros sonhos para
outras formas de praticar desporto e de viver em contacto
com a Natureza. Estas crianças saíram mais ricas daquele
encontro em que perguntaram tudo o que quiseram e ouviram
bem cedo coisas que muitos já ouvem tarde demais, como por
exemplo as preocupações ecológicas que temos. Mas mais,
ouviram em resposta a um deles, o que devem fazer para se
iniciarem na pesca se os seus familiares mais directos não
se interessam por tal actividade.
Não é que a formação
ministrada em feiras e outro tipo de intervenção não seja de
prosseguir, nem é isso que está em causa, mas esse tipo de
acção terá mais efeito se for dirigida a um público que já
está ciente de determinadas realidades e até desperto para
elas. Esse será pois o meu próximo desafio. E daqui lanço o
repto aos mais experientes pescadores da nossa praça para
que dediquem algum tempo a pensar neste assunto e a ajudarem
nesta tarefa organizando acções simples de iniciação dentro
das disciplinas que praticam que não se confinem às
«paredes» do seu clube.

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