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Los Roques
Arquipélago de Los Roques, um dos muitos
parques nacionais da Venezuela, um
paraíso natural que permaneceu
praticamente intacto desde a sua
descoberta. Este arquipélago é
constituído por cerca de 250 ilhas
(cayos). Apenas uma ilha é habitada
permanentemente, na qual apenas existem
casas de pescadores, a maioria das quais
foram restauradas transformando-se em
pequenas pousadas. Haveria muito para
falar sobre o Arquipélago, mas apenas
vou falar da pesca deste fantástico
peixe, o bonefish.

O
Bonefish
O
bonefish, Albula Vulpes, também
conhecido nestas paragens como macabí
(como irá ser tratado) ou pez raton, é
uma espécie costeira normalmente
encontrada em zonas baixas afectadas
pelas leves marés, zonas de mangues e
foz de rios. Esta espécie vive em grupos
que podem atingir os 100 indivíduos,
ainda que normalmente sejam avistados em
pequenos grupos. As principais
características corporais deste peixe
são a posição inferior da sua boca e a
forma cónica da sua cabeça. Possui um
corpo delgado, redondo e comprido com
uma forte barbatana caudal bifurcada.
Possui uma cor esverdeada na parte
superior e prateada na parte lateral e
inferior, proporcionando-lhe uma boa
camuflagem, enquanto procura pequenos
peixes e crustáceos nos baixios
(conhecidos como flats).

O
Material
O macabí
é um peixe muito forte, considerado por
muitos como o peixe mais forte do mundo,
tendo em conta o seu tamanho. Esta
teoria foi confirmada por mim e devo
dizer que a realidade superou as
expectativas.
Para a
pesca desta espécie, podemos utilizar
canas de pluma que variem entre a linha
7 e 9. A cana para linha 8 é a ideal,
tendo em conta as condições normais de
pesca. Esta deverá ter acção rápida,
para nos permitir lançamentos rápidos,
longos e precisos.

Os
carretos devem possuir obrigatoriamente
um travão de disco e pelo menos 100m de
backing (linha de reserva), ainda que eu
aconselhe que possua um pouco mais.
Pessoalmente, coloco o máximo de backing
para que o carreto fique cheio depois de
colocar a linha principal. Normalmente
os fabricantes dos carretos e mesmo os
vendedores falam na capacidade do
carreto. Por exemplo, o meu leva 200m de
backing de 20 libras. O backing para
esta pesca é essencial, já que a linha
possui apenas 32m e será necessário bem
mais que isso.
Os baixos
de linha devem ser de boa qualidade e
ser bem construídos, com nós muito bem
concebidos ou utilizar os que são
cónicos e sem nós, que se encontram em
lojas da especialidade. O terminal pode
variar consoante o local de pesca.
Poderão usar-se terminais entre o 0,24 e
o 0,35, dependendo da constituição do
fundo. Se o fundo for de areia e alguma
vegetação, poderemos usar diâmetros mais
finos; se existirem pequenos corais,
devemos aumentar o diâmetro do terminal,
já que os corais são autênticas lâminas
e cortam o nylon com muita facilidade,
fazendo com que se percam bastantes
peixes.
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AS PLUMAS
Na pesca de qualquer espécie
à pluma, as plumas vão
evoluindo ao longo do tempo,
baseadas, na maioria das
vezes, nos modelos clássicos
criados pelos pioneiros. No
caso da pesca do macabí, as
plumas usadas actualmente
são variações das plumas
clássicas criadas para esta
espécie, conhecidas como
Crazy Charlie. Claro que
algumas alterações aumentam
a sua eficácia.
O desenho das plumas Crazy
Charlie, dota-as de uma
característica única e ideal
para as condições normais de
pesca do macabí: nadar
invertidas, fazendo com que
o anzol fique com a ponta
para cima, evitando que as
algas se prendam. Em alguns
modelos, são também montadas
de modo a que evitem o
enganche nas algas que,
normalmente, cobrem o fundo.
Segundo o que tenho
discutido com alguns
pescadores mais experientes,
a preferência por cores e
modelos varia de local para
local, ainda que existam
alguns modelos e cores que
são efectivos em todos os
locais de pesca espalhados
pelo mundo. |
Algo
importante é adicionar algum material
brilhante durante a sua construção,
mesmo quando se tratam de plumas
realistas que imitem um pequeno peixe,
camarão ou até um pequeno caranguejo. O
importante neste caso é fazer com que a
nossa pluma seja visível, porque o
macabí procura a sua comida rapidamente
e, se não a vir, continuará o seu
caminho e perderemos a oportunidade.
As Dificuldades.
Devido à
sua coloração, o macabí é extremamente
difícil de ser avistado. Neste tipo de
pesca, um guia especializado é
essencial. Posso afirmar que, sem ele, é
praticamente impossível a pesca deste
peixe, a menos que o pescador seja
muitíssimo experiente na sua pesca. No
meu caso, visto que não possuía esta
experiência, pude contar com um guia
profissional com oito anos de
experiência na pesca do macabí à pluma.
Estes guias, para além de serem
conhecedores de todos os locais de pesca
do arquipélago e da variação da sua
qualidade tendo em conta as marés,
possuem a vista muito bem treinada. Na
maioria das vezes, após o guia avistar o
macabí e me indicar a sua localização
aproximada, tinha de me esforçar um
pouco para os conseguir avistar. Muitas
vezes, só conseguia vê-los quando
passavam por zonas mais claras ou quando
passavam por zonas baixas, onde se viam
com mais facilidade. Aconselho vivamente
a que, na primeira vez em que pesque
esta espécie, o faça sozinho com o guia,
ou seja apenas um pescador por guia,
porque será uma experiência muito mais
enriquecedora e o que vai aprender
valerá a pena.

Outra
dificuldade que encontramos é o vento.
Nestas paragens, o vento é constante
durante todo o dia, tornando difícil
realizar os lançamentos precisos que são
necessários para o sucesso. Quando
víamos que os peixes se deslocavam com
uma trajectória previsível, tentávamos
deslocar-nos de modo a ficar com o vento
pelas costas, para tornar mais fácil e
preciso o lançamento.
A Técnica
Os
macabís podem ser pescados em diferentes
tipos de locais, sendo as praias e os
flats os mais comuns. Em zonas de praia,
ou seja, quando temos uma pequena zona
baixa com uma extensão de 30 ou 40m para
além da margem. Aqui, os macabís atingem
tamanhos razoáveis e podem ser pescados
com pequenas imitações de peixes, já que
são o alimento que eles procuram nestes
locais. Neste ambiente, os macabís são
mais difíceis de ver, não só porque a
água é um pouco mais profunda, com
bastantes corais e vegetação, mas também
porque os macabís se deslocam
rapidamente em pequenos grupos ou
sozinhos, obrigando a um lançamento
rápido e muito preciso. Em zonas de
flats, ou seja, em locais de águas
baixas, com uma leve corrente causada
pelas marés e, normalmente, rodeados por
águas mais profundas. Nestes locais, por
vezes com menos de 20cm de água, os
macabís são mais fáceis de avistar, quer
estejam de passagem ou a alimentar-se.
Ao deslocarem-se em grupos nos flats, os
macabís provocam a chamada “água
nervosa”, em que se vê na superfície uma
ligeira agitação provocada pelo seu
movimento. Quando se alimentam nestas
águas baixas, são facilmente visíveis,
pela sua cauda bifurcada completamente
fora de água, com movimentos suaves e
graciosos.

Se
pescarmos em praia, é aconselhável a
utilização de uma pequena imitação de
peixe, ou um clauser minnow, para
obtermos os melhores resultados. Nestas
condições, temos de nos antecipar ao
movimento do macabí e colocar a pluma
entre 1,5m e 2m à sua frente. Claro que,
para isso, temos de o avistar, o que é
algo muito difícil e, no momento em que
se aproxima do local onde está a pluma,
recolhermos a mesma rapidamente, de
forma irregular, para que ele a veja
como uma presa em fuga. Com a utilização
destas plumas, a pesca torna-se um pouco
mais “violenta”, já que os macabís, por
vezes vários, perseguem a pluma com
grande velocidade e atacam-na com muita
violência, sendo o momento muito rápido,
tanto para o macabí, como para o
pescador.
Nos
flats, a técnica é um pouco diferente,
assim como as plumas a utilizar, tal
como referi anteriormente, sendo o grau
de dificuldade muito alto. Perdi a conta
aos peixes que perdi por falhas graves,
muitas delas devido aos nervos e à
emoção do momento, que posso garantir
que é grande e inevitável! Nos flats,
devemos ter todos os cuidados, como
manter a silhueta baixa; ter fora do
carreto toda a linha necessária para o
lançamento de modo a evitar o ruído
causado pelo carreto se necessitarmos de
mais linha; ter muito cuidado ao
caminhar pelos flats, já que os macabís
ouvem quando partimos os corais à medida
que avançamos; tentar não lançar por
cima do cardume, porque vêem rapidamente
a linha, fugindo a grande velocidade;
até o simples facto do guia apontar o
dedo para indicar a sua localização
poderá afugentar um cardume.

Se os
macabís estiverem de passagem pelo flat,
sem estarem a alimentar-se, devemos
lançar a pluma para que esta caia 2m à
frente da sua posição. Deixamos a pluma
assentar no fundo, sendo importante não
perder de vista o local onde ela está e,
no momento em que o macabí passa por
ela, recolhemos rapidamente a linha 30cm
e paramos. Voltamos a repetir o
movimento várias vezes e, se o macabi
pensar que é um crustáceo ou pequeno
peixe em fuga, irá ficar interessado e a
sua trajectória mudará. Quando o macabí
for comer a pluma, normalmente irá
colocar a boca no fundo e a cauda sairá
para fora de água, sendo apenas
necessário dar um pequeno puxão, como de
início, para sentirmos se ele a tem na
boca ou não. Se não a tiver, ele
continuará atrás dela. Neste momento,
podem acontecer várias coisas: o macabí
pode perder o interesse e ir embora; mas
pode perseguir a pluma até perto de nós,
fugindo depois de nos avistar. Caso se
interesse e coma a nossa pluma, teremos
de ferrar. Devemos fazê-lo com a linha e
não com a cana, por dois motivos:
primeiro, para que a pluma não rode e
não saia da sua boca; segundo, porque,
caso falhe a primeira investida, a pluma
sairá da água, devido ao movimento da
cana, o que não acontece de o fizermos
com a linha.
Quando
se estão a alimentar nos flats, o seu
comportamento é diferente. Normalmente,
avistam-se as caudas fora de água e a
núvem de areia formada enquanto remexem
o fundo. Nestas condições, o nível de
alerta dos macabís diminui e, para os
conseguirmos apanhar, temos de lançar a
pluma mesmo na cabeça do grupo. Assim,
pensarão que foi algo que desenterraram
no fundo arenoso, comendo-a de imediato.
Acessórios
Importantes
É muito
importante para a pesca desta espécie a
utilização de óculos com lentes
polarizadas. Com este tipo de lentes, os
reflexos criados na superfície da água
são eliminados, melhorando as nossas
condições de visibilidade. A roupa
utilizada é também muito importante,
devendo vestir camisas e calças que nos
protejam dos raios solares, muito
perigosos. O ideal é utilizarem-se
calças extra finas (encontradas em casas
de outdoor) e camisas de manga comprida.
Para pessoas com a pele mais sensível,
existem luvas extrafinas, brancas e sem
dedos, para proteger a parte superior
das mãos, enquanto nos deslocamos pelas
águas baixas, debaixo do sol escaldante
das Caraíbas. Utilize também protector
solar de protecção máxima, na cara,
pescoço e orelhas, para evitar situações
desagradáveis. Leve também algo calçado,
para não se cortar nos abundantes
corais.
Boas pescarias e lembre-se sempre de
praticar o CATCH & RELEASE. |