PLANETA PESCA - DOSSIER Nº26

A PESCA DO BONEFISH NA VENEZUELA
 

Los Roques

Arquipélago de Los Roques, um dos muitos parques nacionais da Venezuela, um paraíso natural que permaneceu praticamente intacto desde a sua descoberta. Este arquipélago é constituído por cerca de 250 ilhas (cayos). Apenas uma ilha é habitada permanentemente, na qual apenas existem casas de pescadores, a maioria das quais foram restauradas transformando-se em pequenas pousadas. Haveria muito para falar sobre o Arquipélago, mas apenas vou falar da pesca deste fantástico peixe, o bonefish.

O Bonefish

 O bonefish, Albula Vulpes, também conhecido nestas paragens como macabí (como irá ser tratado) ou pez raton, é uma espécie costeira normalmente encontrada em zonas baixas afectadas pelas leves marés, zonas de mangues e foz de rios. Esta espécie vive em grupos que podem atingir os 100 indivíduos, ainda que normalmente sejam avistados em pequenos grupos. As principais características corporais deste peixe são a posição inferior da sua boca e a forma cónica da sua cabeça. Possui um corpo delgado, redondo e comprido com uma forte barbatana caudal bifurcada. Possui uma cor esverdeada na parte superior e prateada na parte lateral e inferior, proporcionando-lhe uma boa camuflagem, enquanto procura pequenos peixes e crustáceos nos baixios (conhecidos como flats).


O Material

 O macabí é um peixe muito forte, considerado por muitos como o peixe mais forte do mundo, tendo em conta o seu tamanho. Esta teoria foi confirmada por mim e devo dizer que a realidade superou as expectativas.

 Para a pesca desta espécie, podemos utilizar canas de pluma que variem entre a linha 7 e 9. A cana para linha 8 é a ideal, tendo em conta as condições normais de pesca. Esta deverá ter acção rápida, para nos permitir lançamentos rápidos, longos e precisos.

 Os carretos devem possuir obrigatoriamente um travão de disco e pelo menos 100m de backing (linha de reserva), ainda que eu aconselhe que possua um pouco mais. Pessoalmente, coloco o máximo de backing para que o carreto fique cheio depois de colocar a linha principal. Normalmente os fabricantes dos carretos e mesmo os vendedores falam na capacidade do carreto. Por exemplo, o meu leva 200m de backing de 20 libras. O backing para esta pesca é essencial, já que a linha possui apenas 32m e será necessário bem mais que isso.

 Os baixos de linha devem ser de boa qualidade e ser bem construídos, com nós muito bem concebidos ou utilizar os que são cónicos e sem nós, que se encontram em lojas da especialidade. O terminal pode variar consoante o local de pesca. Poderão usar-se terminais entre o 0,24 e o 0,35, dependendo da constituição do fundo. Se o fundo for de areia e alguma vegetação, poderemos usar diâmetros mais finos; se existirem pequenos corais, devemos aumentar o diâmetro do terminal, já que os corais são autênticas lâminas e cortam o nylon com muita facilidade, fazendo com que se percam bastantes peixes.

    AS PLUMAS

Na pesca de qualquer espécie à pluma, as plumas vão evoluindo ao longo do tempo, baseadas, na maioria das vezes, nos modelos clássicos criados pelos pioneiros. No caso da pesca do macabí, as plumas usadas actualmente são variações das plumas clássicas criadas para esta espécie, conhecidas como Crazy Charlie. Claro que algumas alterações aumentam a sua eficácia.

O desenho das plumas Crazy Charlie, dota-as de uma característica única e ideal para as condições normais de pesca do macabí: nadar invertidas, fazendo com que o anzol fique com a ponta para cima, evitando que as algas se prendam. Em alguns modelos, são também montadas de modo a que evitem o enganche nas algas que, normalmente, cobrem o fundo.

Segundo o que tenho discutido com alguns pescadores mais experientes, a preferência por cores e modelos varia de local para local, ainda que existam alguns modelos e cores que são efectivos em todos os locais de pesca espalhados pelo mundo.

  Algo importante é adicionar algum material brilhante durante a sua construção, mesmo quando se tratam de plumas realistas que imitem um pequeno peixe, camarão ou até um pequeno caranguejo. O importante neste caso é fazer com que a nossa pluma seja visível, porque o macabí procura a sua comida rapidamente e, se não a vir, continuará o seu caminho e perderemos a oportunidade.

As Dificuldades.

  Devido à sua coloração, o macabí é extremamente difícil de ser avistado. Neste tipo de pesca, um guia especializado é essencial. Posso afirmar que, sem ele, é praticamente impossível a pesca deste peixe, a menos que o pescador seja muitíssimo experiente na sua pesca. No meu caso, visto que não possuía esta experiência, pude contar com um guia profissional com oito anos de experiência na pesca do macabí à pluma. Estes guias, para além de serem conhecedores de todos os locais de pesca do arquipélago e da variação da sua qualidade tendo em conta as marés, possuem a vista muito bem treinada. Na maioria das vezes, após o guia avistar o macabí e me indicar a sua localização aproximada, tinha de me esforçar um pouco para os conseguir avistar. Muitas vezes, só conseguia vê-los quando passavam por zonas mais claras ou quando passavam por zonas baixas, onde se viam com mais facilidade. Aconselho vivamente a que, na primeira vez em que pesque esta espécie, o faça sozinho com o guia, ou seja apenas um pescador por guia, porque será uma experiência muito mais enriquecedora e o que vai aprender valerá a pena.

  Outra dificuldade que encontramos é o vento. Nestas paragens, o vento é constante durante todo o dia, tornando difícil realizar os lançamentos precisos que são necessários para o sucesso. Quando víamos que os peixes se deslocavam com uma trajectória previsível, tentávamos deslocar-nos de modo a ficar com o vento pelas costas, para tornar mais fácil e preciso o lançamento.
 

A Técnica

 Os macabís podem ser pescados em diferentes tipos de locais, sendo as praias e os flats os mais comuns. Em zonas de praia, ou seja, quando temos uma pequena zona baixa com uma extensão de 30 ou 40m para além da margem. Aqui, os macabís atingem tamanhos razoáveis e podem ser pescados com pequenas imitações de peixes, já que são o alimento que eles procuram nestes locais. Neste ambiente, os macabís são mais difíceis de ver, não só porque a água é um pouco mais profunda, com bastantes corais e vegetação, mas também porque os macabís se deslocam rapidamente em pequenos grupos ou sozinhos, obrigando a um lançamento rápido e muito preciso. Em zonas de flats, ou seja, em locais de águas baixas, com uma leve corrente causada pelas marés e, normalmente, rodeados por águas mais profundas. Nestes locais, por vezes com menos de 20cm de água, os macabís são mais fáceis de avistar, quer estejam de passagem ou a alimentar-se. Ao deslocarem-se em grupos nos flats, os macabís provocam a chamada “água nervosa”, em que se vê na superfície uma ligeira agitação provocada pelo seu movimento. Quando se alimentam nestas águas baixas, são facilmente visíveis, pela sua cauda bifurcada completamente fora de água, com movimentos suaves e graciosos.

 

 Se pescarmos em praia, é aconselhável a utilização de uma pequena imitação de peixe, ou um clauser minnow, para obtermos os melhores resultados. Nestas condições, temos de nos antecipar ao movimento do macabí e colocar a pluma entre 1,5m e 2m à sua frente. Claro que, para isso, temos de o avistar, o que é algo muito difícil e, no momento em que se aproxima do local onde está a pluma, recolhermos a mesma rapidamente, de forma irregular, para que ele a veja como uma presa em fuga. Com a utilização destas plumas, a pesca torna-se um pouco mais “violenta”, já que os macabís, por vezes vários, perseguem a pluma com grande velocidade e atacam-na com muita violência, sendo o momento muito rápido, tanto para o macabí, como para o pescador.

 Nos flats, a técnica é um pouco diferente, assim como as plumas a utilizar, tal como referi anteriormente, sendo o grau de dificuldade muito alto. Perdi a conta aos peixes que perdi por falhas graves, muitas delas devido aos nervos e à emoção do momento, que posso garantir que é grande e inevitável! Nos flats, devemos ter todos os cuidados, como manter a silhueta baixa; ter fora do carreto toda a linha necessária para o lançamento de modo a evitar o ruído causado pelo carreto se necessitarmos de mais linha; ter muito cuidado ao caminhar pelos flats, já que os macabís ouvem quando partimos os corais à medida que avançamos; tentar não lançar por cima do cardume, porque vêem rapidamente a linha, fugindo a grande velocidade; até o simples facto do guia apontar o dedo para indicar a sua localização poderá afugentar um cardume.

 Se os macabís estiverem de passagem pelo flat, sem estarem a alimentar-se, devemos lançar a pluma para que esta caia 2m à frente da sua posição. Deixamos a pluma assentar no fundo, sendo importante não perder de vista o local onde ela está e, no momento em que o macabí passa por ela, recolhemos rapidamente a linha 30cm e paramos. Voltamos a repetir o movimento várias vezes e, se o macabi pensar que é um crustáceo ou pequeno peixe em fuga, irá ficar interessado e a sua trajectória mudará. Quando o macabí for comer a pluma, normalmente irá colocar a boca no fundo e a cauda sairá para fora de água, sendo apenas necessário dar um pequeno puxão, como de início, para sentirmos se ele a tem na boca ou não. Se não a tiver, ele continuará atrás dela. Neste momento, podem acontecer várias coisas: o macabí pode perder o interesse e ir embora; mas pode perseguir a pluma até perto de nós, fugindo depois de nos avistar. Caso se interesse e coma a nossa pluma, teremos de ferrar. Devemos fazê-lo com a linha e não com a cana, por dois motivos: primeiro, para que a pluma não rode e não saia da sua boca; segundo, porque, caso falhe a primeira investida, a pluma sairá da água, devido ao movimento da cana, o que não acontece de o fizermos com a linha.

  Quando se estão a alimentar nos flats, o seu comportamento é diferente. Normalmente, avistam-se as caudas fora de água e a núvem de areia formada enquanto remexem o fundo. Nestas condições, o nível de alerta dos macabís diminui e, para os conseguirmos apanhar, temos de lançar a pluma mesmo na cabeça do grupo. Assim, pensarão que foi algo que desenterraram no fundo arenoso, comendo-a de imediato.

 Acessórios Importantes

  É muito importante para a pesca desta espécie a utilização de óculos com lentes polarizadas. Com este tipo de lentes, os reflexos criados na superfície da água são eliminados, melhorando as nossas condições de visibilidade. A roupa utilizada é também muito importante, devendo vestir camisas e calças que nos protejam dos raios solares, muito perigosos. O ideal é utilizarem-se calças extra finas (encontradas em casas de outdoor) e camisas de manga comprida. Para pessoas com a pele mais sensível, existem luvas extrafinas, brancas e sem dedos, para proteger a parte superior das mãos, enquanto nos deslocamos pelas águas baixas, debaixo do sol escaldante das Caraíbas. Utilize também protector solar de protecção máxima, na cara, pescoço e orelhas, para evitar situações desagradáveis. Leve também algo calçado, para não se cortar nos abundantes corais.

Boas pescarias e lembre-se sempre de praticar o CATCH & RELEASE.

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