Taça do Mundo de Pesca do Achigã

Portugal vence por países e individualmente

Portugal venceu, a Primeira Taça do Mundo de Pesca ao Achigã que se realizou na albufeira do Cabril. Individualmente, a imparável dupla Fernando Pereira e João Pardal,  obtiveram no somatório dos três dias, 8.702 Kg, o melhor peso nos quinze achigãs capturados. De referir que esta fabulosa equipa, conquistou também durante o corrente ano, o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Pesca Embarcada ao Achigã, realizado pela Federação Portuguesa de Pesca Desportiva e o Torneio da APPA tornando-se naturalmente esta Taça, a ”cereja que faltava no bolo”. A escassas 41 gramas, outra equipa portuguesa, com uma prestação de relevo: João Grosso e Fernando Cruz, que já por diversas vezes tinham dado provas das suas potencialidades em competição. O terceiro posto, foi ocupado por uma equipa norte americana de pescadores profissionais, Ben Matsubu e Joe Jones , com 8.103 Kg. O primeiro, um americano de  descendência japonesa e o segundo, o único americano de origem europeia. Uma óptima equipa, que mostrou ser a que melhor se adaptou às condicionantes encontradas. Estas três primeiras equipas foram as únicas que lograram ultrapassar os oitos quilos de peixe nos três dias de prova

 A PESCA

Logo no primeiro dia de competição, as equipas americanas mostraram de imediato ser a diferença no conjunto de equipas europeias. Enquanto todos, após as respectivas largadas, optaram por se afastarem de imediato, as americanas optaram por pescar mesmo junto ao local de partida. Uma delas, Ben Matsubu e Joe Jones pescaram  e capturaram peixes, na parede que forma uma estrutura de rochas, mesmo junto ao Restaurante Lago Verde, tendo como assistência uma pequena multidão de curiosos e “espreitas” que os aplaudiam por cada achigã capturado. Gary Yamamoto e Bervely Yamamoto posicionaram-se na ilha localizada na margem oposta. George Braswell  e Judy Wong  iniciaram a sua pesca num bico justaposto a essa ilha.

Estes locais tornaram-se aliás uma espécie de locais de peregrinação uma vez que passaram a ter sempre barcos em acção de pesca, muito por força dos “espiões” de outros países que desta forma acharam que as suas equipas com mais dificuldade em capturar os cinco peixes,  ali poderiam concretizar esse objectivo primordial.

A técnica que foi moda nos últimos tempos na pesca ao achigã a nível mundial, deu também aqui alguns resultados. Os americanos usaram-na de forma consistente, tal como uma boa parte da restantes equipas.  Trata-se do drop-shot uma técnica utilizada para pescar em profundidade, onde à partida estariam concentrados os achigãs, tendo em conta determinados locais. Esta técnica, é de tal ordem específica que existem canas, anzóis, chumbos e amostras, vocacionadas para esta forma de pescar. Basicamente consiste num chumbo aplicado no extremo da linha, onde algumas dezenas de centímetros acima, se empata o anzol e se aplica o isco artificial.

No entanto, a equipa vencedora optou por outra forma de pescar adaptando-a com sucesso à ocasião como nos confessaram os nossos campeões.

A CLASSIFICAÇÂO

 A classificação final ficou assim ordenada:

Class.

Equipa

País

Peso Total

Fernando Pereira - João Pardal

Portugal

8,702

João Grosso - Fernando Cruz

Portugal

8,661

Ben Matsubu - Joe Jones

U.S.A.

8,103

Jaime Sacadura - João Sacadura

Portugal

7,957

Jorge Carvalho - André Fidalgo

Portugal

7,646

Benigne Ampaud - Frederic Charrais

França

7,575

Juan Hiedra - Joaquín Prieto

Espanha

7,233

Gary Yamamoto - Bervely Yamamoto

U.S.A.

7,086

Jacopo Gallelli - Stefano Ruggi

Itália

5,606

10º

Alfredo Martino - Rudi Bartolini

Itália

5,297

11º

Giuseppe Casieri - Franco Mancini

Itália

4,843

12º

José Torregrosa - José Herrera

Espanha

4,827

13º

Stephane Le Cleach - Patrick Lamarque

França

4,48

14º

Pedro Felix - Manuel Mariano

Portugal

4,076

15º

Charles Bastien - Michel Hybonnet

França

3,927

16º

George Braswell  - Judy Wong

U.S.A.

3,399

17º

Juan Valcuende- Santos Muñoz

Espanha

3,222

18º

Andrea Merluzzi - Leonardo Lorenzoni

Itália

1,943

19º

Laurent Poulain - Tanguy Marlin

França

1,635

20º

Juan Zafra - Alfonso Garcia

Espanha

1,359

21º

Antonio Romero - Miguel Salvador

Espanha

0,921

22º

David Drubreuil - Lionel Grou

França

0,194

 

 

 

 

 

Totais (exemplares - peso/dia)

 

108,692

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


  Classificação por países:                                          

Portugal

29

U.S.A.

79

França 

94

Espanha

95

Itália

101

 

 

AS EQUIPAS AMERICANAS

Nitidamente diferentes das equipas europeias na sua postura desportiva, onde a maior experiência dita de imediato um maior à vontade, os americanos mostraram também a sua mestria no campo mediático. A boa disposição, simpatia, o “show” e o “markting” então também e sempre em primeiro plano. Todos os eles sem excepção, estiveram sempre disponíveis para os aborrecidos autógrafos, dedicatórias e respostas à perguntas que lhe foram feitas. Verdadeiros profissionais, sem qualquer ponta de snobismo !!

OS NOSSOS CAMPEÕES

Naturalmente bem dispostos, os nossos dois campeões confessaram-nos numa pequena conversa que embora estando confiantes desde o inicio estavam também conscientes de que o nível competitivo era muito elevado, o que estimulou ainda mais o seu desempenho. Quanto a técnicas utilizadas, a aposta maior foi para a montagem tipo Texas, tentando-se chegar  a áreas mais profundas, locais mais propícios a encontrar achigãs nesta altura do ano. Quando aparentemente a maioria dos pescadores, em especial os profissionais americanos, tentavam a sua sorte com a técnica da moda – o drop-shot, esta dupla de pescadores conseguiram com sucesso “adaptar” a montagem utilizada a uma pesca em profundidade, sendo por ventura esse, o segredo do seu sucesso.

O RESTO

Relativamente à organização do evento, foi unânime a ideia que tudo correu da melhor forma, inclusive as condições meteorológicas que se mantiveram apesar de tudo bastante amenas durante as horas de pesca. Somente no último dia e já na fase da pesagem, o S. Pedro se lembrou de oferecer a todos os presentes, uma monumental chuvada, que ainda assim, foi de pouca duração.
Ficou a nossa experiência e o aprender a fazer ainda melhor, quando voltar a ser a nossa vez.

 Estão mais uma vez de parabéns os nossos campeões, a nossa selecção juntamente com a equipa técnica e também a organização deste evento que, sem dúvida nenhuma, conseguiram escrever o nome de Portugal no roteiro da pesca ao achigã a nível mundial.

Gomes Torres

 

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Novembro 2003

 


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